O poder das narrativas e dos pequenos dados

“Eureca”. Assim, diz a história, que Arquimedes de Siracusa reagiu ao desvendar o enigma científico que lhe foi trazido pelo Rei Hierão. O Rei desejava saber a quantidade de ouro que existia em sua coroa, uma vez que não queria ser enganado pelos ourives de seu reino. Em meio ao impasse, Arquimedes foi banhar-se e, ao entrar em sua banheira, percebeu que o nível da água subia a medida em que ele entrava. Nasceu, assim, um dos mais importantes princípios da mecânica de fluídos e uma das principais leis da física.

O avançar do tempo comprovou que na história não faltaram momentos “Eureca”. Seja na ciência ou nos negócios, o olhar sensível e o pensar holístico sempre foram grandes aliados da inovação. Essa constatação se mostra cada dia mais precisa, especialmente ao se analisar casos de inovação como o da Lego, que resolveu investir mais em seus brinquedos clássicos e de montagem complexa, indo contra a orientação dos estudos de mercado que havia contratado até então. A decisão veio com base em uma narrativa inusitada: a observação do tênis de um garoto alemão de 11 anos, que além de aficionado por Lego, era skatista. O tênis, assim como o Lego, eram uma forma de demonstrar suas habilidades.

Essa estratégia, relatada no livro Small Data, do autor dinamarquês Martin Lindstrom, se demonstrou bastante acertada, ajudando a manter a Lego como uma das maiores potências mundiais na fabricação de brinquedos. Histórias como essa se repetem aos montes, todavia, é curioso enxergar como o cenário moderno demonstra que há uma predileção pelo big data. Cada vez mais, corporações apostam suas fichas em
massificação de informação, esperando que a planificação e decomposição analítica de grandes quantidade de dados possam abrir caminho para grandes descobertas. Não é bem assim.

Fora a discussão sobre a ética de utilização de dados e privacidade de usuários, o big data pode levar a conclusões falhas. Dados são ferramentas importantíssimas para a análise de mercado de modo geral, ou seja, quanto mais dados, maior a área de análise. Isso não significa, contudo, que mais dados representem profundidade na análise. Grandes quantidades de dados extraídos de forma massificada e planificados em relatórios ainda não demonstraram sua eficiência em determinar causalidade. O que leva alguém a trazer determinado produto ou serviço para sua vida? Essa simples pergunta ainda continua com respostas nebulosas diante das infinitas possibilidades imaginadas pelo big data.

E é justamente essa ausência de uma resposta contundente para um ponto fundamental no marketing que causa uma visão limitada para o fenômeno social que é o consumo. Um dos traços mais marcantes dos seres humanos é sua necessidade de buscar o progresso em suas vidas. Todos os dias, em todos os cantos do planeta Terra, alguém traz algum produto ou serviço para sua vida, buscando superar algum obstáculo que o impeça de progredir ou torne este objetivo mais lento. Entender as razões, especialmente as de caráter emocional, que levam alguém a trazer
determinado produto ou serviço para sua vida é o trabalho fundamental das corporações que buscam manter relevância em um mundo saturado de informação.

Esse tipo de análise, sensível, complexa e dinâmica, não encontrará respostas na média de um estudo ou nas representações gráficas de um software. A resposta para este tipo de questionamento está na riqueza das palavras, da fala e do sentir. A inovação verdadeira, aquela que traz uma solução para os problemas que impedem o progresso dos seres humanos, está nos extremos, no inusitado, na vastidão da própria existência humana. Ela é emocional, com propósito e se conecta com a mente e o coração das pessoas.

Há tempos, o marketing é visto como a arte de criar narrativas com dados. O big data continuará a desempenhar papel fundamental para auxiliar nesse processo. Todavia, curiosamente, em meio ao caos da era da informação, talvez a revolução dos dados tenha vindo trazer um valoroso ensinamento: são narrativas que dão vida a outras narrativas.

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uma nova presença digital para a retomada do turismo

Adotamos uma linguagem próxima, que ressaltasse a atenção às causas locais e ao bem-estar das pessoas. Escolhemos cores que representassem a mescla entre o calor do litoral, o frio das montanhas e a exuberância das florestas. Criamos o naming “Escape para o Caminho dos Príncipes”, que se apropria do desejo das pessoas de novas experiências, de descobrir novos lugares, aproveitando a tendência de viagens de curtas distâncias e do turismo local.

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